Lançamento do Livro Lançamento do Livro "Arquitetura Brasileira"

Com 247 páginas e textos do arquiteto Maurício Del Nero, que mostram a participação de 23 escritórios, a publicação é dividida em seis seções por regionais de vendas/relacionamento da Portobello, e apresenta projetos de escritórios do Rio de Janeiro, São Paulo, Região Sul, Minas Gerais/Bahia, Centro Oeste/Norte e do Nordeste.

“É um orgulho lançar essa nova edição, tanto pela consolidação de nossa publicação, que idealizamos para valorizar os arquitetos brasileiros, quanto pela excelência dos projetos que compõem este livro”, diz Cesar Gomes Júnior. Ele ainda ressalta: “novos talentos, experiências, memórias e referências históricas são percebidos em obras que surpreendem e solucionam temas contemporâneos e abrangentes como a qualidade das novas moradias ou o uso e a apropriação do espaço público”.

A publicação é uma iniciativa do CRIAR, Programa de Relacionamento da Portobello voltado a arquitetos de grandes projetos da construção civil, atendidos pelo Canal Engenharia da empresa, que busca valorizar a importância e talento desses profissionais.

A edição de 2016 do livro Arquitetura Brasileira pode ser adquirida no site da Editora Magma, responsável pela publicação. Cada edição custa R$ 80 e, no final do ano, toda a renda será revertida para o Lar Santa Maria da Paz, de Tijucas.


Mesa Redonda: Urbanismo Transnacional Mesa Redonda: Urbanismo Transnacional

Por André Catelli

Segundo Marcelo Teixeira, doutorando em sociologia pela UnB, obras grandiosas assinadas por arquitetos como Zaha Hadid são verdadeiras máscaras de modernidade criadas para ditaduras se justificarem perante o mundo civilizado. "Urbanismo Transnacional" é como chama o processo de criação de cidades espetaculares que abrigam a arquitetura do espetáculo. Critica o fato de tais cidades serem todas parecidas, talvez como Cesareia e Palmira se assemelhavam a Roma, e de abrigarem obras de grande visibilidade e que superam limites técnicos, quem sabe como o Farol de Alexandria e o Colosso de Rodes, e, mais recentemente, a Torre Eiffel.

Ele organizou com Lucas Brasil uma mesa-redonda, na UnB, intitulada "Urbanismo Transnacional: Ásia, África, Brasília - Que conexões haveriam entre Dubai, Brasília, Singapura e Kinshasa?", da qual participaram importantes catedráticos. Na plateia havia alguns professores de arquitetura e funcionários de órgãos licenciadores e de planejamento urbano de Brasília, estudantes e arquitetos. A mesa-redonda foi sua tentativa de popularizar a teoria de que "o comprometimento com o neoliberalismo, em tese, traria mais legitimidade a regimes autoritários frente a uma comunidade internacional pós-Consenso de Washington" - nas suas palavras -, que corporações multinacionais de construção civil e investimentos imobiliários constroem destrambelhadamente cidades mundo afora, com apoio de bancos e governos, como estratégia "de acumulação de capital em curto prazo", e que  o planejamento urbano, sob tais atores, "privatiza-se e pulveriza-se crescentemente, reduzindo poderes municipais e cidadãos em definir os rumos de suas cidades, cada vez mais decididos além das fronteiras nacionais e inseridos na 'racionalidade neoliberal' e pró-mercado". Neoliberal deve significar "qualidade daquilo que é atual, 'neo', e está em harmonia com o pensamento de Smith, Mises e Friedman", ou um mero sinônimo de "Satanás". A fina flor da arquitetura mundial, como Norman Foster e Daniel Libeskind, e grandes corporações imobiliárias seriam o selo-modernidade de que os governos autoritários necessitariam para dar à determinada cidade um status global, como ocorreu com a ditadura de Bilbau, na Espanha, que se perpetuou no poder após contratar Frank Gehry para o projeto-espetáculo do museu Guggenheim.

Destarte, na sua tese, os governos ditatoriais, controladores e centralizadores por definição, pulverizam os poderes de seu país em definir o rumo de suas cidades, mesmo as criadas "ex nihilo", do nada, que portando não contavam com "cidadãos", usam o urbanismo transnacional para mascararem o caráter plenipotenciário de suas ditaduras, onde tudo pertence ao estado há décadas, como na China, privatizando o país em nome de uma "racionalidade neoliberal". É o fortalecimento do Estado mediante o enfraquecimento do Estado, em prol da iniciativa privada, algo até hoje impensável. E o modelo agora chega à África, preocupa-se Teixeira, e as corporações imobiliárias construirão, no lugar das ocas graciosas e modestas em cuja proximidade se podia expor a poética magreza humana em fotos preto e brancas de engajados como Sebastião Salgado, odiosos arranha-céus de vidro cingidos por lagos contornados por tamareiras, idênticos aos de Singapura, Xangai, e Dubai. A tese culmina no alerta de que, via GDF,  a sombra desse grupo sem rosto acerca-se de Brasília, apesar de ela não ter relevância econômica mundial e de o Brasil ter impostos acachapantes e infraestrutura precária suficientes para afugentar os mais vorazes tubarões neoliberais sem a ajuda dos Urbanistas por Brasília e de outros heróis locais. Ele parece acreditar que o crescimento urbano é causa, não consequência. Que por isso há cidades fantasmas na China. E Singapura não fez primeiro uma revolução econômica e educacional, priorizando o comércio exterior, para só então ter um desenvolvimento urbano. O reboque empurra o carro para onde o motorista não deseja ir.

A China foi uma ditadura comunista por mais de 50 anos. A abertura econômica gerou mais riqueza e alguma liberdade, e desde 1980, a população urbana ganhou 700 milhões de pessoas e hoje já é mais de metade do país. As cidades precisaram crescer a toque de caixa. Cidades ditas fantasmas, como Ordos, na verdade passam um tempo subocupadas porque recebem os migrantes aos poucos, quando estes têm condições de comprar as residências, ainda que com subsídios, e equipá-las com vasos, luminárias e outros itens domésticos essenciais. Para o doutorando, a China apenas copia o modelo de Singapura. Cria cidades do nada, amplia cidades de poucas centenas de milhares de habitantes para monstros urbanos de dezenas de milhões de pessoas, as quais, quem sabe, devem brotar do barro. Ao contrário do que crê Teixeira, a abertura comercial obrigou paulatinamente o governo a sacralizar contratos e a aumentar a transparência de suas próprias ações. A abertura é o começo do fim da ditadura chinesa, não uma tentativa desesperada de mantê-la.

Dubai - Shopping e residenciais Medinah Jumeirah: idêntico a Singapura,

Em muitos países árabes há ditadura. Nos países ricos em petróleo, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, há ditadura e riqueza, e esta, aliada à localização geográfica entre Ocidente e Oriente, possibilita a transformação de cidades em polos de serviços onde há baixos impostos alfandegários e tributação - no caso de Dubai, praticamente inexistem -, e as ajuda a voltarem a ser a escala entre um canto e outro do planeta, a realizarem a vocação de entreposto comercial, de grande caravançará que tiveram nos tempos áureos. Mas, para Marcelo Teixeira, essas ditaduras não podem mais se sustentar sem uma certa máscara neoliberal, apesar de terem se mantido sem ela por décadas, como as ditaduras da Coréia do Norte, de Cuba, Síria e de tantos outros países.

Quanto à descaracterização urbana, a cidade de Dubai, por exemplo, tal qual a conhecemos, foi em grande parte criada do nada, sobre a areia. Não obstante seu caráter "transnacional", lá é corrente o uso de torres de captação de vento, típicas da região, há shoppings com aspecto de "suqs" (mercados persas), elementos estéticos islâmicos, mocárabes em mesquitas, azulejos, jardins internos e fontes, tapetes, tamareiras, generoso uso de pedras da região, arabescos, microcidades árabes dentro da cidade, e a preocupação cada vez maior em criar edifícios e cidades sustentáveis. Brasília, como as já citadas Cesareia e Palmira em relação a Roma, também seguiu cânones internacionais da época em que foi criada, mais precisamente da Carta de Atenas. Os panos de vidro do Congresso Nacional e dos ministérios são inadequados ao nosso clima, há uma nítida priorização do carro em relação aos pedestres, a estética não tem traços comuns à arquitetura tradicional brasileira, apesar dos esforços quase teológicos dos catedráticos em dar ao modernismo de Niemeyer uma inspiração barroco-colonial.

Após a exposição do tema a ser debatido, projetou em um telão os vídeos promocionais das cidades de urbanismo transnacional e, em determinado momento, proferiu um imparcial "vejam que absurdo". E então tiveram início os discursos dos integrantes da mesa. O primeiro, abordando também outros temas, disse em certo ponto que todas grandes cidades são réplicas uma das outras, para a elite sempre se sentir em casa. Assim, um executivo sai do aeroporto, vai para o hotel, deste para o museu e para o restaurante no shopping. Os dois primeiros são iguais aos do resto do mundo; no museu, segundo ele, se vê as mesmas obras vistas no resto do mundo - quem viu um Ticiano viu todos, deve imaginar -, e, por fim, no restaurante se come comida chinesa, italiana, japonesa, como no resto do mundo. E o doutor concluiu que, enquanto isso, a classe trabalhadora sofre nas favelas e cortiços para manter essa elite transnacional. Sim, e Steve Jobs não deve ter ficado multibilionário porque o mundo inteiro desejava seus produtos Apple, mas porque ele explorava, no início, uma ou duas centenas de funcionários na Califórnia e, posteriormente, algumas dezenas de milhares ao redor do mundo, sendo a mais-valia de cada um dos vendedores, faxineiros e montadores de aparelhos estimada em milhões de dólares. Outros debatedores seguiram uma linha parecida, criticando aqui a onipresença das grifes, ali o consumismo. Ao menos até o ponto em que assisti.

Não dá para negar a importância fundamental do meio acadêmico nas principais discussões do país. Mas confesso que às vezes as universidades públicas brasileiras me parecem pesadas barcaças sem leme, há décadas distantes da terra firme, nas quais o alimento disponível é o marxismo vencido, o que poderia explicar o escorbuto ideológico que acomete boa parte da tripulação.

Talvez passar um tempo em Singapura aumente a vitamina C no organismo...

Minha Casa Minha Vida enfrenta problemas como contas não pagas, puxadinhos e tráfico Minha Casa Minha Vida enfrenta problemas como contas não pagas, puxadinhos e tráfico

Inaugurado em 2012, o Condomínio Ayres, em Senador Camará, acumula mais de R$ 100 mil em contas não pagas; o local já tem “gatos” de energia e imóveis invadidos Leo Martins / O Globo

RIO — Um gatuno observa de longe. Na calada da noite, usa vara de pescar, linha, anzol e, com habilidade cirúrgica, consegue desprender e levar a roupa da vítima. No dia seguinte, há discussão entre vizinhos para saber quem furtou a peça. A cena pitoresca é apenas um detalhe em meio aos desafios que bateram à porta do Programa Minha Casa Minha Vida, que completa cinco anos em março.

Acostumados ao estilo de vida informal das comunidades onde viviam, os moradores dos conjuntos construídos pelo projeto passam agora pelos dilemas impostos pelas regras de convivência dos condomínios. Além das dificuldades na relação com os novos vizinhos e da adaptação dos seus antigos hábitos, há problemas graves, como o caso daqueles sem condições de arcar com as despesas de água, luz, gás e taxa de condomínio. O resultado tem sido altos índices de inadimplência, em alguns casos próximos de 90%. Muitos conjuntos estão atolados em dívidas. Há ainda práticas que começam a se disseminar, como o “gato” de energia elétrica, o tráfico de drogas e a instalação de puxadinhos que funcionam como bares, cabeleireiros e vendas de alimentos, entre outros serviços.

Desde que o programa foi lançado, em 2009 — entre a contratação e a construção foram quase três anos —, 50,9 mil imóveis do Minha Casa Minha Vida foram entregues no Estado do Rio. São cerca de 200 mil pessoas vivendo nesses imóveis. Do total de unidades concluídas, 17,6 mil (34%) estão ocupados por famílias com renda de zero a três salários, faixa que concentra até 65% do déficit habitacional do Rio. São famílias que foram sorteadas pelo programa ou ganharam os imóveis para deixarem áreas de risco onde viviam. Para essa faixa de renda, existem mais 98 mil imóveis contratados, ou seja, em fase de construção em todo o estado. Somente na capital, são 66 mil, entre contratados e entregues.

O Condomínio Destri, com 421 unidades, em Senador Camará, foi o primeiro a ser inaugurado no Rio pelo Minha Casa e hoje, com apenas dois anos de uso, acumula dívida de R$ 60 mil de luz e R$ 40 mil de água. Arnaldo Rosa Bruzaco Filho, presidente da Associação de Moradores Beato João Paulo II, que reúne outros cinco condomínio do Minha Casa Minha Vida em Senador Camará, diz que o problema é comum nesses empreendimentos.

— Muitos moradores não se sentem obrigados a pagar as contas. Fui síndico do Destri, e lá enfrentamos problemas. Temos muitos gastos de manutenção. Para você ter uma ideia, quando chegamos aqui, até as mangueiras de incêndio tinham sido furtadas — diz Bruzaco.

Bares instalados em puxadinhos

No Condomínio Ayres (vizinho ao Destri), entregue também em 2012, a situação é mais grave. A síndica Iraci da Costa afirma que as contas já somam mais de R$ 100 mil. Como também não pagam pela luz, alguns moradores passaram a fazer “gato” de energia. O Ayres enfrenta outros problemas. Os 421 imóveis foram entregues a famílias que vieram de diferentes comunidades do Rio, controladas por facções rivais. Quase 90 apartamentos foram abandonados por moradores que se sentiam intimidados pelos vizinhos. Outros deixaram os imóveis, hoje já invadidos, porque não aceitaram pagar as contas. Já existem também bares instalados dentro do condomínio, em puxadinhos feitos pelos moradores.

— Os moradores não estavam preparados para morar num condomínio e estão transformando isso numa favela. A nossa inadimplência já chega a uns 90% — diz Iraci.

No município de Queimados, onde foi entregue em 2012 o condomínio Valdoriosa I, II e III, com quase 1,5 mil apartamentos, os problemas se repetem. Já há registro de venda de drogas. No Valdoriosa I, o síndico Jocely da Silva Gonçalves, de 42 anos, é quem faz a capina, pintura e manutenção das áreas de uso comum, porque falta dinheiro para contratar o serviço. É ele também quem tem de resolver as desavenças entre os moradores.

— Acabei de mediar uma discussão em que um morador queria esfaquear o outro — conta.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO consideram que o Minha Casa Minha Vida precisa passar por ajustes. Diretor do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), o economista Manuel Thedim diz que a questão a ser pensada é como levar pessoas que viviam na informalidade a se adaptarem à vida formal, com todos os custos de morar num condomínio. A falta de renda leva os moradores a instalarem pequenos negócios, repetindo a lógica da favela.

— Criar formas de ganhar dinheiro com um pequeno comércio é uma característica do empreendedorismo das comunidades do Rio. Não podemos condenar isso. Mas é evidente que existe um dilema dentro dos condomínios do Minha Casa Minha Vida. As pessoas foram levadas de uma hora para outra a viverem uma situação de formalidade a que não estavam acostumadas. Na favela, tudo era resolvido como cada um queria. É uma política de habitação que não foi conversada com os moradores — afirma Thedim.

Ex-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Sérgio Magalhães é ainda mais crítico. Para ele, o Minha Casa não poderia sequer ser chamado de programa de habitação popular, porque não leva em consideração as expectativas dos moradores:

— O programa não envolve os moradores na discussão do tipo de moradia. O crédito imobiliário teria que ser universalizado no Brasil, deixar de ser tão restrito. A sua restrição se traduz nesse programa, no qual são o governo e a empreiteira que decidem quem vai morar e onde.

A secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães, ressalta que o programa tem conseguido entregar moradias a moradores com renda de zero a três salários, justamente os que mais sofrem com o déficit habitacional no país. Ela reconhece, no entanto, que a adaptação à vida formal dos condomínios é um desafio. Inês acrescenta que o ministério repassa até 2% do valor dos empreendimentos para o trabalho de formação de gestores dos condomínios e para a área social. Ela diz que, no Rio, esse trabalho ainda não foi feito integralmente:

— Esse é o maior desafio que temos. Como é que eu trago um conjunto de família para uma outra situação (vida formal)? Por isso, é imprescindível que o poder público local esteja envolvido nesse processo. No Rio, quase metade do poder público (prefeituras) ainda não conseguiu contratar esse trabalho.

Em nota, a Secretaria municipal de Habitação informou que o trabalho de informação e preparo dos moradores é realizado nos três meses antes da entrega das chaves e durante um ano após a mudança, podendo ser prorrogado por mais um ano. Essa tarefa consiste, por exemplo, no esclarecimento de dúvidas e na prestação de informações (sobre pagamento de condomínio e contas individuais, sobre a vida nos conjuntos etc). A secretaria informou ainda que iniciou uma campanha para tentar reduzir a inadimplência, “mostrando a importância da taxa do condomínio para a preservação dos espaços comuns”.

Projeto ouve demandas de moradores em queimados

Para tentar reduzir as dificuldades dos condomínios do Minha Casa Minha Vida para as famílias com renda de zero a três salários, a Caixa Econômica Federal começou a financiar uma pesquisa para identificar soluções. O projeto, que vem sendo feito no Valdoriosa I, II e III, em Queimados, começou em outubro passado e deve ficar pronto em 2015. A iniciativa tem quatro eixos: geração de trabalho e renda, juventude e cultura, mulheres e ações socioambientais e de segurança alimentar.

Coordenador do projeto, também conhecido como #MaisValdoriosa, o sociólogo Paulo Magalhães, explica que os condomínios do Minha Casa Minha Vida passam por um processo de institucionalização — ou seja, do mundo mais informal para o espaço de maior formalidade —, e isso leva algum tempo. Segundo ele, estão sendo feitas reuniões com os moradores para identificar as principais queixas e o potencial do local. Ao final do projeto, será apresentado um plano de desenvolvimento integrado e sustentável do Valdoriosa. A iniciativa é tocada pelo Iets, pelo Ibase e pela Metrópoles Projetos Urbanos (MPU).

— Neste momento, estamos no processo de identificação das demandas dos moradores. Fazemos reuniões com eles para discutir esses temas. Tudo será feito conforme o interesse deles. Há dezenas de formas de gerar renda. Um outro foco do programa é discutir como podemos minimizar as tensões geradas pela convivência com novos moradores. A ideia não é impor nenhum modelo. Vamos construir com os moradores uma mescla do mundo formal e informal — explica Magalhães.

HOMEPAGE ATUALIZADA HOMEPAGE ATUALIZADA

Nós, da Accioly Arquitetos Associados, agradecemos à DF Informática, especialmente ao Santhiago, ao Márcio e ao Alessandro, por esta homepage e pela paciência com que nos atenderam.

André Catelli

Tanques de retenção já Tanques de retenção já

Por André Catelli

Taxa de permeabilidade deveria ser a relação entre a soma de todas as áreas permeáveis do lote e sua área total. Sua obrigatoriedade visa garantir a infiltração de águas pluviais, para estimular a recarga de aquíferos, aliviar as redes de escoamento e propiciar áreas verdes arborizadas para os usuários da edificação.

A despeito do nome e de seus objetivos, na norma não se exige comprovação de permeabilidade, não há empecilhos para que o terreno seja compactado e inclinado de modo a escoar imediatamente a chuva recebida. De fato, exige-se apenas uma área do lote desocupada, incluindo subsolos, com uma capa vegetal, ou de pedrisco, por exemplo. Além de não ser eficaz, a norma atual, do modo como é interpretada, limita a ocupação de parte considerável do lote, o que, associado a outros condicionantes como taxas de construção altas - às quais está diretamente ligado o preço do lote - e demanda por vagas de garagem, inviabiliza um bom projeto arquitetônico.

Os tanques de retenção permitem o armazenamento da água para utilização futura ou para extravasá-la de forma gradual após o período de chuvas. Sumidouros podem garantir a permeabilidade e realimentar os lençóis freáticos. Áreas verdes obrigatórias, sobre lajes ou não, garantirão, por fim, o conforto para os usuários da edificação almejado na norma.

Disneylândias da Europa Disneylândias da Europa

Por André Catelli

Uma reprodução fiel de um quadro renascentista é sempre mais admirável e valiosa do que uma plotagem em tecido da fotografia da mesma obra. Pinceladas, pequenos empastes e veladuras poderão ser examinados de perto, pela visão e tato, com a certeza de que se está no lugar que o copista ocupava enquanto reproduzia a obra. É uma cópia, sim, mas exclusiva. Na impressão apreciamos as formas, tons e cores, sabendo que o valor intrínseco, físico, é pequeno: os custos dos cartuchos de tinta, do substrato e do chassis, provavelmente. Em ambos os casos, contudo, a genialidade é captada como que por um espelho, através do qual se divisa a pintura autêntica.

Quando o original se perde, é destruído, ou tem sua existência inferida pela reprodução, como algumas estátuas romanas esculpidas a partir de gregas, estas nunca admiradas senão pela Antiguidade, a cópia tem seu valor catapultado para as alturas. Ainda mais neste caso, em que muitas cópias são contemporâneas às originais e o mármore empregado, italiano, é superior, o que explica vermos mais narizes e dedos nas estátuas latinas de vinte, vinte e cinco séculos atrás, do que nas gregas de mesma idade. A cópia, nesses casos, passa a ser virtualmente a original. Grandes templos de madeira do Japão são réplicas de construções de mais de mil anos atrás, às vezes em escala reduzida, como o Todai-ji em Nara, que visitei recentemente. O templo budista é do ano 743 e foi destruído várias vezes por incêndios e terremotos. O edifício atual é do século XVIII e 30% menor do que o primeiro, erigido pelo Imperador Shomu. Ainda assim, se não me engano, é a maior construção em madeira do mundo. Algumas catedrais medievais europeias, perante as quais turistas em êxtase imaginam artesãos de uma corporação de ofício a talhar, por várias gerações, seus contrafortes, arcobotantes, pináculos e nervuras da abóboda, são reproduções de poucas décadas atrás, erguidas em canteiros de obra modernos com tecnologia de ponta, por meio de guindastes, talhadeiras elétricas. São próteses de valiosos e únicos membros urbanos decepados em guerras ou terremotos. De igual modo, o copista hábil no óleo talvez opte por auxílio tecnológico para transpor as formas com precisão para a tela. Poderá imprimir a fotografia em tamanho natural, marcar os pontos de referência com absoluta exatidão, usar o conta-gotas do Photoshop para saber a dosagem aproximada de azuis, amarelos e vermelhos.

Não duvido que haja falsificações espalhadas por museus mundo afora. Serão tratadas como originais até serem desmascaradas. E há ainda obras de arte atuais em estilo antigo. Imaginemos uma tela de tema mitológico ao estilo de Ticiano, como se a alma deste tivesse possuído o pintor (não desastradamente como outros gênios incorporaram em Gasparetto), produzida em um loft de Nova Iorque ao som de Miles Davis, com o burburinho urbano vindo da janela, um copo de Jack Daniel's ao lado de bisnagas Winsor & Newton. Se tal obra fosse exposta no Louvre como um maneirista da escola de Ticiano, visitantes seriam arrebatados por aquela maravilha. Se vissem a mesma obra sendo criada no loft, talvez diriam com desdém: "mais um pastiche americano". Quem daria o Nobel de Literatura para o autor de um livro em grego antigo nos moldes da Odisseia? Embora sua habilidade devesse ser louvada, não poderíamos compará-lo a Homero, muito menos achar que suas obras têm importância equivalente.

castelo de Neuschwanstein, no sudoeste da Baviera, é considerado por muitos o castelo mais bonito da Europa. "É um dos edifícios mais fotografados da Alemanha e um dos mais populares destinos turísticos europeus, além de também ser considerado o 'cartão postal' daquele país", lemos na Wikipedia.

Esta arquitetura fantástica é a avó do castelinho da Bela Adormecida que vemos na Disneylândia. É um pseudo-românico enfeitado, construído com mil anos de atraso por um reizinho perdulário fanático por óperas de Wagner. Chega a ser compreensível, porque durante o romantismo houve um retorno ao medievo. Mas Neuschwanstein é meramente um belo cenário, tão mentiroso quanto qualquer cenário de ópera, embora possa ser visto de ângulos internos e externos. Sua estrutura é de concreto e suas vedações de alvenaria ordinária revestida com cascas de pedra. Esqueçamos da belísima paisagem em que Neuschwanstein está inserido. Ele só está lá porque ela é bela, não porque se necessitava de um sítio seguro, estratégico, a salvo de povos hostis munidos de tochas, catapultas e aríetes. Foi construído com técnicas modernas, nunca houve um rei a comer faisões em meio a vassalos, nunca uma corte se instalou por lá, os pesados portões nunca estiveram entre sitiados e invasores, a assimetria do conjunto de torres não se explica por acréscimos que reis fizeram através dos séculos, por demanda da necessidade, que é o ingrediente de espontaneidade dos castelos medievais; nunca arqueiros estiveram protegidos detrás de suas seteiras, que não existem para compor a estética de castelinho, adotada em motéis temáticos de beira de estrada e em réplicas sofríveis como o Chateau La Cave, em Caxias do Sul, minha cidade natal. O cartão postal alemão não traduz um estilo, uma época. Quem olha aquela arquitetura eclética não imagina que foi concluída nos estertores do século XIX.

Já me disseram que a obra de arte é uma contrafação do real, que toda arte é mentirosa. Mas arquitetura não é apenas obra de arte, como quer Niemeyer, não é mentira, como a pintura e a literatura ficcional. Não posso dizer que quatro paredes e um teto são uma imitação de uma caverna. Já a arquitetura pode ser imitada, claro. Neuschwanstein e quase tudo de Gramado são mentiras sim, ainda que o primeiro seja uma estonteante e Gramado seja uma, digamos, mentira bonitinha. O enxaimel não nasceu de uma imitação da natureza ou de um ideal estético. É uma verdade estrutural. Pilares, vigas e contraventamentos de madeira são expostos em seu estado natural, enquanto as vedações são pintadas de cores claras, amiúde. Levantarem uma casa de cimento, como fazem em Gramado, para depois pintarem “x”s marrons sobre pequenos ressaltos na argamassa, pendurarem placas em alemão com caracteres góticos e atrair turistas que quase sempre pensam estar em uma autêntica pequena Alemanha, é uma mentira bem diferente do que a que vemos em romances. É fato que existem alguns poucos enxaiméis originais em Gramado e em cidades de colonização alemã no Rio Grande do Sul, e é certo que turistas também vão para lá pelas belezas da Serra Gaúcha, pelo clima e também pelos parques temáticos, estes explicitamente "disneylandescos".

Outros dois exemplos de arquitetura fake europeia são o Palácio de Westminster, sede do Parlamento Britânico, um autêntico gótico para inglês ver, concluído em 1870 mas com cara de séc. XIII, perto do qual há até uma estátua recente do rei cruzado Ricardo Coração de Leão, e a Sacré Coeur, um belíssimo templo neo-neo-românico-bizantino para francês ver, concluído em 1914 mas com cara de séc. IX.

Quem me dera que as imitações fossem sempre harmônicas e seguissem os cânones daquilo que pretendem copiar. Na maioria das vezes são pastiches grotescos, fora de proporção. Um exemplo é o Arco do Pontão, em Brasília. O número de vãos deve ser sempre ímpar, porque pelo centro desfilará, teoricamente, algum soberano em triunfo. Mas não. Roriz não foi um grande conquistador, e bem ao centro temos a guarita. Os arcos são abatidos, provavelmente por limitação do Código de Edificações, não há espaço para respirarem, porque mal há entablamento.

Por fim, não considero a arquitetura neoclássica, de princípios do séc. XIX, cópia do greco-romano. As ordens dórica, jônica, coríntia, compósita, toscana, a limitação estrutural da pedra ou do concreto não armado a condicionar modulações de colunas e a espessura das paredes, nunca deixaram de ser realidade, desde o helenismo até o classicismo a que me refiro. Mesmo na Renascença, a sociedade como um todo fazia um retorno ao greco-romano, no espírito, nas artes plásticas, no teatro, na filosofia. E não havia multidões de turistas gassetianos que justificassem meras "disneylândias".



O que pensamos do PPCUB - e resposta ao IAB O que pensamos do PPCUB - e resposta ao IAB

Por João Accioly

Não houve desenvolvimento coletivo, participativo, do PPCUB, como recomendou a UNESCO. Pudemos fazer meramente sugestões a partir da apresentação da primeira minuta. O PPCUB, portanto, não está submetido ao setor da construção civil. Alguns lotes são beneficiados, como o aumento de gabarito para a área hoteleira, enquanto outros sofrem restrições, como a proibição de varandas nos quartos, em projeções do Plano Piloto. Não se discute cada lote, individualmente.No PPCUB, os parâmetros de ocupação do solo ficaram mais claros, com pequenas correções e uma necessária atualização dos usos. Contudo, os efeitos da lei não são perceptíveis. Ainda não foram levantados dados específicos, como EIVs e RITs, para subsidiá-lo. Há indefinição de parâmetros de uso e ocupação para alguns setores, como a 901 e parte do Setor de Clubes, o que acarretará insegurança jurídica e riscos à sociedade.

É consenso entre todos que discutem o PPCUB, que o tombamento deve ser preservado. As mudanças propostas não o ferem e não há estímulo ao adensamento na área tombada. Para a W3 Sul, o PPCUB prevê estacionamentos subterrâneos sob praças com baixa ocupação de apoio, em harmonia com as propostas premiadas em concurso público há cerca de 10 anos. Para as quadras 900, o que se prevê é a legalização do uso residencial, já efetivado em vários lotes. É a concentração de empregos e serviços no Plano Piloto que causa um maior fluxo de pessoas do entorno para o centro. É mister enfatizar que a população residente na área tombada é menor do que a projetada.

Somos favoráveis à criação da quadra 901 no Plano Piloto e da quadra 500 do Sudoeste, prevista no Brasília Revisitada, desde que as escalas do tombamento sejam respeitadas. Para a porção oeste do Eixo Monumental, o PPCUP prevê de forma muito vaga a criação de lotes de 10 a 20 mil m², para a implantação de atividades culturais de baixo impacto, que não descaracterizem o caráter de parque urbano da região e a escala tombada. Acreditamos que a proposta está coerente com a ocupação atual de outras áreas do Eixo Monumental.

As áreas destinadas a escolas, nas superquadras e entrequadras, aparentemente não são de interesse da Secretaria de Educação, por falta de demanda. Os moradores, por meio de associações - entidades privadas -, desejam implantar seus centros comunitários e prefeituras nesses locais. Entendemos que a população deva ser consultada sobre a forma de utilização das ditas áreas.

Defendemos, por fim, uma utilização não residencial e de baixa densidade ao longo da orla do Paranoá, preservando-se a escala bucólica. Atividades de lazer, esportivas, gastronômicas e de hospedagem seriam úteis nessa dinamização.

Apesar de insatisfeitos com a proposta de lei, acreditamos que ela mitiga a situação caótica em que estamos, na legislação vigente. Propomos, por fim, a criação do fórum de debates qualificado proposto pela UNESCO, para uma discussão mais aprofundada sobre o teor do documento e sua revisão, daqui a cinco anos.

Iwan Baan: Ingenious homes in unexpected places Iwan Baan: Ingenious homes in unexpected places

In the center of Caracas, Venezuela, stands the 45-story "Tower of David," an unfinished, abandoned skyscraper. But about eight years ago, people started moving in. Photographer Iwan Baan shows how people build homes in unlikely places, touring us through the family apartments of Torre David, a city on the water in Nigeria, and an underground village in China. Glorious images celebrate humanity's ability to survive and make a home -- anywhere.

Photographer Iwan Baan captures the many ways people shape their shared built environment -- from glossy starchitecture to handmade homes.

Fonte: TED

Onde estamos e aonde queremos chegar? Onde estamos e aonde queremos chegar?

Por João Accioly

Dúvidas sobre a LUOS-DF - Lei de Uso e Ocupação do Solo do Distrito Federal

No Art. 6º estão seus objetivos:

I  – regulamentar o uso e ocupação do solo para ordenar o desenvolvimento urbano,... .

II – promover o desenvolvimento urbano sustentável;

Perguntas:

- Em cidades como Águas Claras, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Guará, Sobradinho, Gama e Riacho Fundo I, o que apontaram os diagnósticos - caso tenham sido feitos - dos problemas urbanos mais comuns e evidentes, como infraestrutura viária, redes de água/esgoto, energia e meio ambiente? Onde estão os gargalos? Onde a infraestrutura precisa ser reforçada e onde ela está subutilizada?

- Por que diminuir o potencial construtivo básico e manter o potencial máximo?

- Quais são as densidades projetadas originalmente para as cidades citadas acima? Quais são as densidades atuais? Quais as densidades propostas pela LUOS, lembrando que densidade de hab/ha só deve ser considerada e distribuída nas poligonais das áreas urbanas? Tais poligonais existem, a propósito?

- As ações do Governo do DF, principalmente por meio de seu órgão de planejamento, não deveriam ser direcionadas para solucionar esses problemas, incluindo o de densidade urbana - não apenas de super adensamento, mas também de sub-adensamento?

Precisamos de mais informações. Ilustrações, imagens, dados, números, para entendermos o que está se propondo.